Arquivo para outubro \24\UTC 2010

A melhor parte de mim

Já não me preocupo se eu não sei por que.
Às vezes, o que eu vejo, quase ninguém vê
E eu sei que você sabe, quase sem querer
Que eu vejo o mesmo que você.

Sozinha em meio a tanta gente, perdida na escuridão. Clichês que expressam perfeitamente meu estado de espírito.

Não tenho nada mais a não ser uma lata de cerveja, caneta e um papel à mão para que eu possa tentar expressar toda a minha solidão.

Nem o céu me faz companhia, pois se esconde entre as nuvens. Em casa muito barulho, mas não há espaço para a minha voz. São tantos ouvidos, nenhum presente, todos perdidos em suas euforias…

Não me encaixo nas conversas, nem curtos suas musicas. Sou aqui só mais uma peça, um acessório que se contenta em dizer que não está em um salão vazio.

Há só um olhar que me compreende. Seu amor, sua amizade, faz com que eu me sinta menos só.

Aqui, nada me acrescenta a não ser um sorriso verdadeiro daquele que sempre que pode vem estender-me a mão e lembrar-me de que neste mundo eu nunca estou sozinha… Pois, há muitos anos, temos um ao outro.

O que nos une é mais intenso que apenas um laço de sangue: infâncias roubadas, juventudes perdidas, dores compartilhadas.

Por sermos tão diferentes nos tornamos tão iguais… Somos dois e também apenas um, pois eu não vivo sem que esteja sempre ao meu lado a melhor parte de mim!

Um dos únicos homens para quem não me envergonho nem temo declarar o meu amor.

Nada, ninguém nos separa. Estarei sempre ao seu lado e me lembrarei de tudo o que tem feito de bom. Não para retribuir, mas para fazer mais (muito mais) por ele do que eu faria por mim.

Amo-te meu irmão!

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Permanente vazio

Senta aqui que hoje eu quero te falar
Não tem mistério, não
É só teu coração
Que não te deixa amar…
(Los Hermanos)

É triste quando isso acontece… E dessa vez não fui eu a culpada por tamanha dor.

Até cheguei a pensar que poderia fazer a diferença, mas percebi que não posso preencher esse vazio.

A vida abriu-lhe outro caminho, deu-lhe uma nova oportunidade, mas por medo ou por magoa ainda, não deixaste… Nem tentaste.

Eu tentaria no seu lugar, mas infelizmente não o estou.

Percebi que é impossível reconstruir o que foi destruído em você.

Nós temos as nossas historias que nunca poderão ser apagadas, mas ainda é possível escrever uma outra,  única, talvez ainda melhor, mais intensa e verdadeira…

Não se engane, existem pessoas que fazem questão de machucar e de tão dissimuladas tentam se  convencer de que sofrem com seus erros. Mas não sofrem!!! Não se arrependem, pois repetem os mesmos erros sempre que podem e não pensam nas conseqüências.

São pessoas que sempre tiveram de tudo, mas nunca valores. Não se importam com ninguém a não ser elas mesmas. Conheço-as muito bem. Muitas passaram por minha vida. Tiraram tudo o que podiam de mim e só partiram quando eu nada tinha mais para oferecer. Já haviam cultivado seu ego e mostrado o quão tola eu fui.

Quem perdera? Eu? Ah, não! Continuo a mesma, ainda mais segura e convicta do que sou.

Tudo está tão claro agora, mas não se preocupe, voltarei ao meu lugar.

Estou tão cansada de buscar que vou parar por aqui, antes que eu me perca de uma vez.

Não te culpo, até te entendo… No fundo, somos iguais, meu bem: apenas não queremos quem realmente nos quer bem.

Desejos, apenas

Sentia-se perdida, um pouco deprimida talvez. Procurava por alguém que lhe devolvesse o brilho. Nenhum dos seus amigos lhe preenchia o vazio que havia dentro de si.

Entrou na capela. Porque não ouvir palavras de fé que lhe poderiam trazer de volta a confiança, a tranqüilidade? 

Sentou-se, mas não conseguiu tirar seus olhos daquele que outro dia a enchera de carícias e beijos. Tentava concentrar-se, não era possível. Os olhos dele brilhavam e por mais que ela os procurasse, não olhavam em sua direção… Pelo menos não o percebia.

O padre falava de anjos… “és o meu anjo”, pensava. Ouvia sobre o pecado que por sua vez ardia em sua pele cada vez que o olhava. Lembrava daquela noite, uma única apenas… Mas que na deixara marcas pelo corpo. Suava, tremia, palpitava-lhe tanto o coração que lho sentia entre as pernas.

Não ouviu nenhuma palavra mais, deixou apenas seu pensamento voltar àquele instante. Sentia-lhe os beijos, os suspiros, o cheiro, a pele… Os olhos que penetravam o desejo não só em seu corpo que não em sua alma. Desejava entregar-se, render-se a esse homem que mal conhecia, mas que já a fazia tremer.

“Não te amo…” – dizia – “… Quero-te. Queres que demonstre meu desejo por ti? Deixa-me”. Não o queria para sempre, o queria por inteiro, uma vez… Suspirava quase que silenciosamente essas palavras.

Procurou-o. Sem pudores, disse tudo o que sentia… Nada lhe fora escondido. Não mais temia ser vista leviana, não temia seu desprezo. Era preciso, há coisas de que não se pode livrar… São instintos, desejos primitivos que dominam o corpo e não há razão que os controle.

Entregara-se a ele. Desfrutara de todos os prazeres que seu corpo lhe oferecia. Viu-se, assim, livre da febre que a dominara, pôde voltar à sua rotina sem que nada lhe atrapalhasse, sem que lembranças tomassem conta de seus pensamentos. Sentiu-se em paz, enfim…

 “Fazer nascer um desejo, nutri-lo, desenvolvê-lo, irritá-lo, afinal satisfazê-lo.”