Arquivo para setembro \27\UTC 2010

Eu passo…

Se desmorono ou se edifico,

se permaneço ou me desfaço,

— não sei, não sei. Não sei se fico

ou passo.

(Cecilia Meireles – Motivo)

 

Nunca conheci ninguém igual a você. Compartilhamos segredos, dores, risos. Antes uma menina, hoje uma mulher. Os sonhos não são mais os mesmos, muitos dos desejos foram realizados, passos maiores estão por vir. Sinto-me insegura, porém. Por muito tempo acostumei-me a andar ao seu lado, ter sua mão pra segurar, seus braços pra envolver-me e muitas vezes chorar.

Até onde vão os meus e os seus desejos? Como reconhecer nossas próprias vontades se por tanto tempo foram uma só?

É difícil olhar no espelho e me enxergar apenas sem ver sua sombra em mim.

Não quero andar sozinha, sinto-me perdida sem você. Quero e preciso segurar-te as mãos, mas preciso também que você se encontre.

Preciso que ande um pouco só, que não conte comigo pra te levar. Você precisa se encontrar e não se esconder atrás dos meus sonhos. Procure os seus,  corra atrás deles como eu fiz até agora. Conte comigo pra te apoiar, estarei ao seu lado não mais à sua frente. 

Quando isso acontecer verá se ainda deseja seguir o mesmo caminho, talvez tome um rumo diferente, não que o queira… não o quero. Mas é possível, é preciso reconhecer que aconteça e aceitar de alguma forma.

Planejávamos uma vida juntos, estávamos a um passo de algo muito importante. Preciso ter certeza. Não posso levar todo o peso em minhas costas, não posso ser responsável por uma vida de frustração. Não posso continuar a te guiar sem saber em qual direção realmente deseja ir.

Você não pode se acostumar e aceitar todos os meus desejos como se fossem seus. Encontre-se. Já não seguro mais as suas mãos; já não me tens mais à sua frente. Não procure minha sombra, não irá encontrá-la. Procure por você. Talvez, quando encontrar, não precise mais de mim. Ainda assim, não se esqueça de voltar, pois estarei a te esperar… só não sei se no mesmo lugar…

O que me faz ter forças para continuar

O que sinto muitas vezes
Faz sentido e outras vezes
Não descubro um motivo
Que me explique porque é
Que não consigo ver sentido
No que sinto, que procuro
O que desejo e o que faz parte
Do meu mundo…

 …

Qual foi a semente
Que você plantou?
Tudo acontece ao mesmo tempo
Nem eu mesmo sei direito
O que está acontecendo
E daí, de hoje em diante
Todo dia vai ser
O dia mais importante…

(Legião Urbana – Eu era um Lobisomem Juvenil)

Estava cansada, sem forças. Meus esforços pareciam que não surtiam efeito. Dedicações, investimentos, noites em claro, só me traziam cansaço e desânimo à alma. Estava a ponto de jogar tudo pro alto, gritar pro mundo que eu não queria mais, ou melhor, não precisava passar por tudo isso.

Foi neste momento que li algo que simplesmente fez com que eu me derretesse em lágrimas e percebesse que estava errada. Emocionei-me com palavras lindas e tão sinceras de uma menina de 18 anos que sempre me surpreendeu com suas idéias e reflexões tão “adultas”. Quando, hoje em dia, se vê um adolescente escrevendo sobre filosofia, sobre as dificuldades da vida ou sobre o amor transformando as palavras em música, que acaricia os ouvidos, acalma, e muitas vezes, provoca a alma??

São experiências e depoimentos assim que me fazem ter forças pra continuar, que recarregam minhas energias, fazem com que levante a cabeça e tenha a certeza de que estou no caminho certo.

Obrigada, Débora (esse é o nome da minha aluna) pela emoção que me proporcionou, por me devolver o ânimo e a esperança que o tempo e o cansaço estavam fazendo com que eu os deixasse escapar por entre as mãos.

****

Já sinto falta de alguém para admirar.

Os meus olhos, que farão? Para onde direcionarão atenção?

Quer dizer então que não mais existirá a sua voz cortando o silêncio, muito menos o sorriso esplêndido, dotado de puro encantamento e satisfação?

Por ti, nasceu em mim uma nova emoção.

E acredite, guardo tua companhia à sete chaves, salva em minhas recordações – presença intensa nesse meu pouco explícito e debilitado coração.

* À minha xará e sempre professora Débora Camasmie.

Texto escrito por Débora Pessoa que inspirou não só esse post, mas devolveu-me a esperança e o ânimo que me faltavam.

Do outro lado do mundo…

Hoje preciso escrever sobre o meu amor. Um amor que nunca havia sentido, apesar de saber que existia… há três anos ele apareceu em minha vida: tímido, inseguro, carente. Em seus olhos tristes podia-se perceber que estava completamente perdido, com medo talvez.

Poucas vezes dizia o que sentia, seus sentimentos (em sua maioria de tristeza e frustração) demonstravam-se em lágrimas apenas. Nenhuma palavra… foi dificil entrar em seu mundo, cercado por um muro de indiferença, rejeição e resistência… sua forma de proteção.

Beijos, abraços, raros gestos de afetos. Poucos sorrisos, apenas olhares, tristes olhares… É dificil para alguém tão novo lidar com sentimentos e assuntos tão adultos. Esse menino só pedia sua infância que lhe fora roubada. Aos poucos nos aproximamos e fiquei completamente apaixonada. Não tenho medo de dizer isso, não a ele. Sei que também conquistei seu coração. Mostrei-lhe que existem pessoas que nos querem bem. Sempre digo o quanto o amo, para que não se esqueça e se caso duvidar, por algum comportamento meu, que não duvide mais.

Bryan é seu nome e com apenas doze anos veio do outro lado do mundo para ensinar-me a amar. Um sentimento que muitos não acreditam existir, um sentimento que poucos têm a capacidade de sentir.

Ainda não me acostumei com tudo isso, nem sei se estou preparada para esse amor, não sei também se ele entenda, compreenda esse sentimento. Talvez nem saiba o quanto representa em minha vida. Sei tão pouco se sou tão importante para ele quanto é para mim. Só sei que também me ama, nem como, nem quanto, mas não me importo.

O amor que sinto não pede nada em troca, não espera reconhecimento. Esse sentimento faz apenas com que me alegre com um sorriso, um beijo, um abraço apertado, um brilho no olhar de felicidade e satisfação ou um tímido “eu te amo”.

As dificuldades e os sofrimentos por que passamos muitas vezes mudam nossas vidas de uma forma não esperada. Uma perda pode trazer uma enorme dor, uma mudança pode resultar em sofrimento (por medo ou insegurança), mas pode abrir um outro caminho no qual encontramos pessoas que realmente se importam. Eu sou uma delas, não sei o porquê de nossas vidas se encontrarem, só sei que EU me importo.

Eu o amo de verdade e farei de tudo para que sua vida seja diferente e não lhe traga mais tanta dor. Tentarei ser para ele um exemplo de mulher que carrega no peito um imenso amor de mãe.