O dia em que eu acordei feliz…

“Odeio quem me rouba a solidão sem em troca me oferecer verdadeiramente companhia”.

Nietzsche

Hoje o dia amanheceu azul. O céu limpo reluzia tudo e todos ao meu redor. Meu espírito acordara leve, porém ainda com parte da euforia do dia anterior. Tudo parecia diferente, mais bonito, mais alegre e eu estava igualmente mais bela… Aos poucos, esses sentimentos foram dando lugar a uma tristeza, melancolia e até certa culpa. Culpa por não ser tão forte, culpa por ainda acreditar, culpa por querer sonhar e sorrir quando eu deveria chorar.

Por que eu insisto em acreditar e confiar em quem não merece tamanha dedicação? Por que eu insisto em entregar meu coração a quem sempre irá me ferir? Por que eu insisto em deixar meus sonhos nas mãos de quem teve e ainda tem o prazer, mesmo que inconsciente, de destruí-los? Ainda não aprendi que ninguém além de mim deve ser responsável pela minha felicidade? Porque ainda não aprendi a sonhar?

Eu engano, a mim acima de tudo, quando digo e penso que nada me toca. Que sou insensível aos julgamentos, às ações e principalmente à indiferença. Engano-me quando finjo ser igualmente indiferente a você.

O que eu esperava? Cartas de amor? Confidências de sonhos e desejos? Sinceramente não sei… Talvez tudo, talvez nada. Talvez o que é feito seja exatamente o que deveria ser… Talvez eu precise desse vazio e seja isso que alimente e sustente o meu amor.

A verdade é que no dia em que acordei feliz, dormi na solidão!

2 Responses to “O dia em que eu acordei feliz…”


  1. 1 APC 14/06/2010 às 00:52

    Nossa! Seu texto é perfeito. E é tão claro que vivi, em alguns instantes, as sensações desse “dia em que acordou feliz”.
    Todas essas questões são comuns a nós mulheres, sensíveis e sempre a procura de alguém para amar.
    Mas por que a culpa? Por se entregar aos sentimentos? Por se entregar aos desejos do seu coração? Por que deveria chorar? Você não mereceu ser feliz naquele momento?
    Independente do merecimento alheio, nós nos dedicamos ao outro, e o que realmente devemos aprender é dar sem esperar retorno.
    Quando fingimos que somos outra pessoa, realmente nos machucamos.
    Temos que nos orgulhar do que somos e da dedicação que damos aqueles “menos” merecedores.
    Nós é que somos superiores a eles… Nós é que estamos no comando.
    Você optou em ser feliz e por isso acordou eufórica e feliz. O resto é apenas a nossa culpa tentando nos cobrar mais uma vez. Nesses momentos gostaria de ser homem, eles sim sabem curtir o momento, e na maioria das vezes, sem culpa.

    Desejo sorte e paz em sua caminhada. Sem culpa e com muitos momentos de euforia.

    Abraços.

  2. 2 d.Cassolato 27/06/2010 às 18:05

    “São tantos os questionamentos, sempre os faço e nunca os respondo”

    Certa vez escrevi: Será que vale a pena ceder ao desejo?
    Embora tenha cedido aos meus, os quais os reprimia naquela época, ainda continuo com a mesma opinião: o espírito deve sobrepor a carne, para que tenhamos o devido controle. Sim a teoria é fácil, mas quem disse que seria easy? A vida é hard, em alguns momentos hot, e devemos fortalecer nossa razão para escolher ou não ceder as nossas inclinações, não simlplesmente deixar-nos levar, é preciso ter a conciência de que podemos, ou em alguns casos, vamos sofrer depois, quando esperado o flagelo dói menos, eu acho. Mas isto é realmente uma faca de dois gumes: sofrer por não ceder, ou sofrer por ter cedido? Thats the quetion!


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