Amor, sempre amor!

  “Nesta manhã gelada e triste, o cinzento céu condiz com a poluição e a sujeira da minha alma. Penso em ti todos os instantes, e os sentimentos de angustia, tristeza e desejo tomam conta de mim.

Eu te amo! E já te disse mil vezes que meu desejo por ti é maior, muito maior que meu amor próprio. Amo-te e odeio-me por te amar!

Como pode ser tão insensível e frio que não se comoves com meu sofrimento? Como pode dizer-me tantas palavras para que eu me entregasse e depois me deixar?

Livro-te da culpa, porém, ela só a mim pertence. Eu que me deixei enganar. Justo eu que me julgava à prova de tudo isso e jurava-me que perceberia tua má fé… Entreguei-me plenamente, não me contive, deixei que pensasses que estava em suas mãos e assim fiquei!

Nada mais faz sentido! Teu silencio é o que me mata, ainda se houvesse uma explicação, se eu soubesse que amas outra, que meu amor não lhe é suficiente… Sofreria, mas tentaria esquecer-te.

Sei que em nada adianta minhas palavras, porque em nada te comove minha dor; meu amor não te toca e nada mais, em ti, provoca meu desejo.

Não vejo sentido em amar quem não retribui tamanho amor. Recuso-me, porém, outro alguém. Prefiro a solidão a fazer com que sofram como eu sofro agora. Embora eu pense que eu mereça se amada, que deveria deixar que outra paixão tome conta de mim, talvez assim percebas meu valor, me queiras, me desejes como sua mulher e até sofras por mim e por meu amor.

Lembro-me sempre de nossos poucos, mas intensos momentos. Penso em teu olhar, em teus beijos, recordo-me de tua voz e de tua respiração. Entrego-me ao desejo, sinto tua mão e teu corpo me tocar… os suspiros, calafrios, movimentos. Escorre-me entre os dedos um imenso prazer. Ah! Conheceste minhas mais intimas fraquezas, fizeste-me acreditar que não era desejo apenas.

Espero-te todos os dias, então. Fizeste com que esses dias se mostrassem os mais longos de minha existência e os mais tristes também. Desde então ando perdida em mim, em meus pensamentos e nada mais além de ti, eu penso.

Por que me ignoras? Por que não mais me notas? Por que não correspondes ao meu amor? Ah! Desgraçada que sou! Falta-me coragem para dizer-te pessoalmente o que sinto agora! Jogar-me-ia em teus braços, oferecendo meu corpo e toda a minha paixão!

Como eu desejo que não existisses, como queria nunca ter te conhecido… Assim meu coração não sentiria dor, nem amor, nem nada! Reconheço que também não me sentiria tão viva. Qual seria o sentido da vida sem amor? Qual o sentido de minha vida sem ti?

Agradeço, assim, a sua existência e só o que lamento é meu sofrimento porque recusas meu amor e não me deixas que eu faça parte de ti. “

Esse texto escrevi para a disciplina de Literatura Portuguesa, na qual o professor solicitou uma carta barroca. Não era necessário utilizar um português muito antigo, mas que todos os elementos do movimento estivessem presentes. Gostei bastante do resultado e resolvi publicá-la. Pelo que me consta, foi aprovada também pelo professor que é sempre tão exigente… rs.

 

2 Responses to “Amor, sempre amor!”


  1. 1 Debora (aluna-xará) rs 15/04/2010 às 20:14

    Ai professora… quanto amor! Me fez suspirar, rs. Para escrever e detalhar um sentimento tão íntimo e intenso dessa maneira, só mesmo tendo-o sentido plenamente.
    Gostei do seu cantinho, me identifiquei com alguns pontos em ti. Ler pra mim é uma terapia e quando encontro algo assim é que me perco de vez, sem querer achar o caminho de volta, rs;

    Obrigada pela visita e pelas palavras lá no blog; vindo de voce me sinto bem. Uma pessoa com mais idade, entendimento e experiência. Isso me faz querer sempre continuar. Acho que tô no caminho certo, hein?! rs Obrigada mesmo. Beijo, Dé.

  2. 2 Leandro 29/04/2010 às 10:16

    Dé.
    Belas palavras. Muito bem escrito.
    Gostei do sofrimento exagerado: bem Barroco mesmo. Transportei-me para aquela época, sentindo-me em um castelo, num dia de outono, pensamentos, aspirações…
    Beijos,


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