Arquivo para agosto \26\UTC 2009

Cuide de você

Tudo estava a favor de uma noite agradável, e foi. Mas não o suficiente pra tirar o vazio que insiste em permanecer dentro de mim. Pessoas amigas, risadas… conversas vazias, verdades ocultas. Nada existe, o que é exposto é apenas um papel, uma encenação, como um ator que ensaia e convence… Real mesmo só o pensamento que por mais rodeios faça volta sempre ao mesmo ponto. Ah! Se percebesse meu olhar iria verdadeiramente me conhecer… palavras podem ser manipuladas, ou ditas apenas algumas verdades superficiais. Mas os olhos, esses não mentem, a postura, os gestos inconscientes , delatores dos  nossos verdadeiros desejos e pensamentos. Mas a quem isso importa? Talvez nem a mim faça mais diferença, pode até ter feito um dia, mas hoje não mais! Não sou mais a mesma, mas quem sempre é? Mudaram as atitudes e mudarão também os sentimentos. Tudo o que nasce morre um dia, estou certa disso.

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Aproveito esse post, para falar de uma exposição que está acontecendo no Sesc Pompéia.  A artista francesa Sophie Calle, depois de receber uma carta de rompimento do namorado resolve pedir ajuda de diversas pessoas para interpretar a tal carta em forma de fotografias, poemas, etc. Achei interessante a proposta porque envolve algo bem doloroso que é o rompimento (ou a famosa dor de cotolovelo).  A exposição Cuide de Você ficará no Sesc até o dia 07 de setembro. O melhor é que é de graça.  Ainda não fui, mas pretendo ir esse final de semana.

“(…) Aquele que antes me mantinha com pés no chão.
Agora faz questão de ser o que me empurra para a imensidão (…)”
(Postado por Dandara Narimatsu no blog da mostra Cuide de você)

“Cada interpretação é uma máscara.
Cada máscara é uma forma de sentir.
Cuidar-se é assumir sua melhor face.”
(Leonardo Chioda, também no blog)

leonardochioda

E vem chegando a primavera

No post anterior eu falei da minha prima Andrea e neste vou contar o que aconteceu com ela, semana passada: na segunda-feira, saindo do Inglês, às 21:00 foi abordada por um assaltante. Ao tentar reagir ao assalto, ela acabou sendo ferida. Na verdade, não reagiu porque não queria entregar o carro ou a bolsa, mas porque o indivíduo queria levá-la junto. No desespero tentou sair do carro e o cidadão acertou sua perna. Graças a Deus ela está se recuperando, tanto do ferimento quanto do susto que levou… não deve ser fácil. (Dea, não sei se vai ler isso mas… te amo!)

Não foi o primeiro caso de violência que afetou minha família, há dez anos também em uma tentativa de assalto meu tio, Lamir,  foi baleado, e infelizmente faleceu. Foi um episódio triste que transformou nossas vidas, como não poderia ser diferente. Graças a Deus e ao super anjo da guarda que a Dea tem, nada de muito grave aconteceu, mas tudo poderia ter sido diferente.

O engraçado é que a gente pensa que essas coisas nunca vão acontecer com a gente… vê na televisão, lê no jornal, ouve no radio… parece normal. Mas quando vê de perto, sofre com esse tipo de coisa é bem diferente. Nos fazem pensar o quanto nossa vida é banal, insignificante. Você faz planos pro futuro, mas nem sabe se vai voltar pra casa à noite, se estará vivo no dia seguinte. Sei lá, vai chegar um dia que será impossivel viver em cidades grandes. Serão construídos, cada vez mais, grandes condomínios que englobe residência, lazer e trabalho. As pessoas viverão cercados por enormes muros, cercas elétricas, vigiados por diversas câmeras e seguranças. É… talvez nem isso dê certo, talvez haja vandalismo e violência mesmo assim… vai saber. 

Mas a verdade é que eu estou cansada de tudo isso: do trânsito, da sujeira, da intolerância das pessoas, do vandalismo, da violência, da indiferença, do consumismo, da banalidade… estou pensando em me mudar, mas pra onde? Será que existe um lugar que essas coisas ainda não chegaram lá?

Como sempre, eu coloco uma letra que retrate meus sentimentos. Eu gosto de música, acho que deu pra perceber…

Perfeição (Renato Russo)

Vamos celebrar
A estupidez humana
A estupidez de todas as nações
O meu país e sua corja
De assassinos
Covardes, estupradores
E ladrões…

Vamos celebrar
A estupidez do povo
Nossa polícia e televisão
Vamos celebrar nosso governo
E nosso estado que não é nação…

Celebrar a juventude sem escolas
As crianças mortas
Celebrar nossa desunião…

Vamos celebrar Eros e Thanatos
Persephone e Hades
Vamos celebrar nossa tristeza
Vamos celebrar nossa vaidade…

Vamos comemorar como idiotas
A cada fevereiro e feriado
Todos os mortos nas estradas
Os mortos por falta
De hospitais…

Vamos celebrar nossa justiça
A ganância e a difamação
Vamos celebrar os preconceitos
O voto dos analfabetos
Comemorar a água podre
E todos os impostos
Queimadas, mentiras
E seqüestros…

Nosso castelo
De cartas marcadas
O trabalho escravo
Nosso pequeno universo
Toda a hipocrisia
E toda a afetação
Todo roubo e toda indiferença
Vamos celebrar epidemias
É a festa da torcida campeã…

Vamos celebrar a fome
Não ter a quem ouvir
Não se ter a quem amar
Vamos alimentar o que é maldade
Vamos machucar o coração…

Vamos celebrar nossa bandeira
Nosso passado
De absurdos gloriosos
Tudo que é gratuito e feio
Tudo o que é normal
Vamos cantar juntos
O hino nacional
A lágrima é verdadeira
Vamos celebrar nossa saudade
Comemorar a nossa solidão…

Vamos festejar a inveja
A intolerância
A incompreensão
Vamos festejar a violência
E esquecer a nossa gente
Que trabalhou honestamente
A vida inteira
E agora não tem mais
Direito a nada…

Vamos celebrar a aberração
De toda a nossa falta
De bom senso
Nosso descaso por educação
Vamos celebrar o horror
De tudo isto
Com festa, velório e caixão
Tá tudo morto e enterrado agora
Já que também podemos celebrar
A estupidez de quem cantou
Essa canção…

Venha!
Meu coração está com pressa
Quando a esperança está dispersa
Só a verdade me liberta
Chega de maldade e ilusão
Venha!
O amor tem sempre a porta aberta
E vem chegando a primavera
Nosso futuro recomeça
Venha!
Que o que vem é Perfeição!

Em tempos modernos

Nesses dias de férias, em casa, sem nada pra fazer pensei e escrevi diversas coisas. Uma delas surgiu de uma conversa que tive, há um tempo, com minha prima Andrea, sobre “carinhas” e relacionamentos. Ao invés de refletir e escrever um monte de baboseiras apenas inventei uma história:   

Mariana e Sandro se conheceram na faculdade. Ela fazia Artes Cênicas; ele, Música. Encontros casuais pelos corredores, sorrisos, conversas, trocaram e-mails e telefones.  Mariana namorava há alguns anos, mas não via nada de mais em fazer novas amizades. 

Sandro era atencioso, divertido e em pouco tempo a amizade entre os dois foi ficando mais intensa. Ele se ofereceu para ensiná-la a tocar violão.

As tardes agradáveis ficaram constantes e logo o interesse entre eles ficava evidente. Mariana era alegre, sorridente, sua beleza e naturalidade encantaram o rapaz. Sandro também era bonito aos olhos dela, o olhar expressivo, a barba por fazer, o sorriso tímido… Ela sentia-se importante ao seu lado, ele a ouvia, a compreendia, conversavam sobre tudo, tinham muito em comum.

Mariana não demorou muito para perceber essa nova paixão. Logo, passou a questionar seu relacionamento e depois de uma briga rompeu o namoro de muitos anos.

Alguns dias depois, se encontrou com Sandro para as aulas de violão. A música, as mãos, os olhares, logo estavam envolvidos em um beijo ardente, repleto de desejo. Ela se entregou, deixou que seu corpo falasse por si, fazia tempo que não senti a tanto prazer. Tudo foi muito rápido, mas inesquecivel para ela. Os dois se encontraram mais uma vez e foi ainda melhor.

Só que aparentemente sem motivos, Sandro sumiu, não atendia ligações, não respondia aos e-mails, simplesmente a ignorava. Ela não queria explicações, nem cobrar algum compromisso, o desejava e queria apenas estar em seus braços novamente. Mas nada…

Eles não mais saíram juntos, se encontraram apenas nos corredores na faculdade, só olhares, nenhuma palavra. Ela não reatou o namoro porque percebeu que não havia mesmo mais amor. Hoje está solteira, não pretende se casar, nem ter filhos. Em tempos modernos, só quer curtir a vida e ter sucesso profissional.

Mais um coração partido… É o tempo do desapego. Viva ao coração de pedra! Nada de romantismo. Tudo pelo prazer, o que vale é a diversão…

 Como disse: isso não aconteceu, mas poderia ter acontecido. Enfim… qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência!

Faze o que tu queres…

Você  (Raul Santos Seixas / Cláudio Roberto Andrade De Azevedo)
Você alguma vez se perguntou por quê?
Faz sempre aquelas mesmas coisas sem gostar
mas você faz.
Sem saber por quê
Você faz e a vida é curta!

Por quê deixar que o mundo
lhe acorrente os pés
Finge que é normal estar insatisfeito
Será direito, o que você faz com você
Por quê você faz isso por quê?

Detesta o patrão no emprego
sem ver que o patrão sempre esteve em você
e dorme com a esposa
Por quem já não sente amor

Será que é medo
Por que
Você faz isso com você

Por quê você não para um pouco de fingir?
e rasga esse uniforme que você não quer
mas você não quer
Prefere dormir e não vê
Por que você faz isso!
Por quê será que é medo?
Por que você faz isso com você.

São perguntas que muitas pessoas deveriam fazer a si mesmas… olhar para si, para os seus sonhos, desejos. Refletir sobre suas ações e o que elas fazem da sua vida! Devemos acreditar mais em nós mesmos, percebermos que somos capazes, correr atrás da tal felicidade, ela não cai em nossas mãos…  A vida é curta: “Faze o que tu queres há de ser tudo da lei”