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Nostalgia

    Aproveitando uma pequena folga no meio do ano resolvi viajar. Voltei a um lugar depois de 14 anos o que me trouxe momentos de muita nostalgia. A cada rua e casa visitadas retornavam lembranças e sentimentos de um tempo de menina. As mesmas casas de madeira, as varandas nas quais eu passava a tarde brincando, o cheiro e o gosto do maravilhoso pão caseiro, o mesmo forno à lenha (hoje não muito usado), o mesmo silêncio…

   Mas nem tudo estava como antes. Algumas pessoas já se foram, outras eu nem se quer encontrei. Não havia mais a balança em frente a casa e nem mesmo o pé de Romã. Eu também não era mais uma menina, não tinha mais os mesmos sonhos, nem tão pouco passei minhas tardes brincando na varanda afinal não tinha mais as mesmas companhias. Passei boa parte do tempo observando a rua, a transformação de uma cidade e também de uma vida. Vidas surgem enquanto outras desaparecem… E um vazio insistia em permanecer dentro de mim. Com tantas pessoas ao redor eu continuava e me sentir só. Vozes soavam distantes e pareciam não me tocar. Meu pensamento não estava naquele lugar. Eu não estava ali. Estava em um tempo em que crianças brincavam no quintal sem se importar com hora, dia, chuva ou frio. Em que a avó conversava na cozinha enquanto preparava um delicioso bolo de chocolate. Entre brincadeiras, brigas infantis surgiam e tão logo deixavam de existir e novamente risadas quebravam o silêncio e o som de alegria se espalhava por todo o ambiente.

   Perdida nessas lembranças ficava, até ser despertada por um toque ou um chamado insistente. E me via novamente sozinha, porém sorrindo por pelo menos por um momento ter vivido tudo de novo.

O dia em que eu acordei feliz…

“Odeio quem me rouba a solidão sem em troca me oferecer verdadeiramente companhia”.

Nietzsche

Hoje o dia amanheceu azul. O céu limpo reluzia tudo e todos ao meu redor. Meu espírito acordara leve, porém ainda com parte da euforia do dia anterior. Tudo parecia diferente, mais bonito, mais alegre e eu estava igualmente mais bela… Aos poucos, esses sentimentos foram dando lugar a uma tristeza, melancolia e até certa culpa. Culpa por não ser tão forte, culpa por ainda acreditar, culpa por querer sonhar e sorrir quando eu deveria chorar.

Por que eu insisto em acreditar e confiar em quem não merece tamanha dedicação? Por que eu insisto em entregar meu coração a quem sempre irá me ferir? Por que eu insisto em deixar meus sonhos nas mãos de quem teve e ainda tem o prazer, mesmo que inconsciente, de destruí-los? Ainda não aprendi que ninguém além de mim deve ser responsável pela minha felicidade? Porque ainda não aprendi a sonhar?

Eu engano, a mim acima de tudo, quando digo e penso que nada me toca. Que sou insensível aos julgamentos, às ações e principalmente à indiferença. Engano-me quando finjo ser igualmente indiferente a você.

O que eu esperava? Cartas de amor? Confidências de sonhos e desejos? Sinceramente não sei… Talvez tudo, talvez nada. Talvez o que é feito seja exatamente o que deveria ser… Talvez eu precise desse vazio e seja isso que alimente e sustente o meu amor.

A verdade é que no dia em que acordei feliz, dormi na solidão!

Amor, sempre amor!

  “Nesta manhã gelada e triste, o cinzento céu condiz com a poluição e a sujeira da minha alma. Penso em ti todos os instantes, e os sentimentos de angustia, tristeza e desejo tomam conta de mim.

Eu te amo! E já te disse mil vezes que meu desejo por ti é maior, muito maior que meu amor próprio. Amo-te e odeio-me por te amar!

Como pode ser tão insensível e frio que não se comoves com meu sofrimento? Como pode dizer-me tantas palavras para que eu me entregasse e depois me deixar?

Livro-te da culpa, porém, ela só a mim pertence. Eu que me deixei enganar. Justo eu que me julgava à prova de tudo isso e jurava-me que perceberia tua má fé… Entreguei-me plenamente, não me contive, deixei que pensasses que estava em suas mãos e assim fiquei!

Nada mais faz sentido! Teu silencio é o que me mata, ainda se houvesse uma explicação, se eu soubesse que amas outra, que meu amor não lhe é suficiente… Sofreria, mas tentaria esquecer-te.

Sei que em nada adianta minhas palavras, porque em nada te comove minha dor; meu amor não te toca e nada mais, em ti, provoca meu desejo.

Não vejo sentido em amar quem não retribui tamanho amor. Recuso-me, porém, outro alguém. Prefiro a solidão a fazer com que sofram como eu sofro agora. Embora eu pense que eu mereça se amada, que deveria deixar que outra paixão tome conta de mim, talvez assim percebas meu valor, me queiras, me desejes como sua mulher e até sofras por mim e por meu amor.

Lembro-me sempre de nossos poucos, mas intensos momentos. Penso em teu olhar, em teus beijos, recordo-me de tua voz e de tua respiração. Entrego-me ao desejo, sinto tua mão e teu corpo me tocar… os suspiros, calafrios, movimentos. Escorre-me entre os dedos um imenso prazer. Ah! Conheceste minhas mais intimas fraquezas, fizeste-me acreditar que não era desejo apenas.

Espero-te todos os dias, então. Fizeste com que esses dias se mostrassem os mais longos de minha existência e os mais tristes também. Desde então ando perdida em mim, em meus pensamentos e nada mais além de ti, eu penso.

Por que me ignoras? Por que não mais me notas? Por que não correspondes ao meu amor? Ah! Desgraçada que sou! Falta-me coragem para dizer-te pessoalmente o que sinto agora! Jogar-me-ia em teus braços, oferecendo meu corpo e toda a minha paixão!

Como eu desejo que não existisses, como queria nunca ter te conhecido… Assim meu coração não sentiria dor, nem amor, nem nada! Reconheço que também não me sentiria tão viva. Qual seria o sentido da vida sem amor? Qual o sentido de minha vida sem ti?

Agradeço, assim, a sua existência e só o que lamento é meu sofrimento porque recusas meu amor e não me deixas que eu faça parte de ti. “

Esse texto escrevi para a disciplina de Literatura Portuguesa, na qual o professor solicitou uma carta barroca. Não era necessário utilizar um português muito antigo, mas que todos os elementos do movimento estivessem presentes. Gostei bastante do resultado e resolvi publicá-la. Pelo que me consta, foi aprovada também pelo professor que é sempre tão exigente… rs.

 

O tempo passa e eu vejo tudo tão diferente!

“Todos os dias quando acordo
Não tenho mais
O tempo que passou
Mas tenho muito tempo
Temos todo o tempo do mundo…”

Não sei se foi o inferno astral, uma insatisfação, decepção, descontentamento ou tristeza mesmo, mas nesses dias uma angustia e melancolia tomou conta de meus pensamentos durante boa parte do tempo. Chorei aparentemente sem motivo, entristeci-me com algo que teria de tudo para me alegrar, cobrei de alguém algo que nunca poderia me dar, e estava ciente disso…

A verdade é que quando está chegando meu aniversário, um sentimento estranho começa a tomar conta de mim, inúmeros pensamentos vagam pela minha mente. Uma sensação de que está ficando tarde, de que os anos se passaram rápido demais, de que tudo poderia ter sido diferente, se em um dia, um caminho fosse alterado.  Não é curioso como determinadas escolhas mudam completamente nossa vida e de outra pessoa? Pois é…

Sinto saudade da minha infância, nem tanto da adolescência, sinto que deveria ter aproveitado mais meus tempos de pouca responsabilidade (não que hoje eu tenha tantas assim, mas tudo mudou um bocado…). Sinto saudade das pessoas que deixaram de fazer parte de mim, mas que deixaram suas marcas, deixaram em mim um pedaço de si… me entristeço ao pensar em outras que aos poucos vão se afastando, cujas vidas tomaram rumos completamente opostos e apesar de sentir muito, no fundo não sinto tanto assim… 

Penso em tudo isso, penso em como eu gostaria de realizar tudo o que desejo, como apesar de não ser mais uma adolescente, meu pensamento imediatista faz com que eu me desespere e queira que as coisas aconteçam já… Ontem… E não amanhã.

Se tem algo que preciso aprender com as pessoas mais velhas é a lidar com o tempo… Aprender a ter paciência, aprender a plantar e esperar o momento certo para colher, afinal não dá pra colher frutos que não estejam maduros, não é mesmo?

Seja ano novo, seja aniversário, ambas as datas fazem com que eu pense um pouco mais sobre o que faço da minha vida. Faz com que eu olhe para o passado com um pouco mais cuidado, aja no presente pensando no futuro. Valorize mais as pessoas que estão ao meu lado e perceba, nas pequenas ações, quem realmente se importa e importa para mim. Faz com que eu admire ainda mais a minha família e agradeça por tudo que tenho, pelo apoio em todos os momentos, pelas brigas necessárias e pelo colo em boa hora. Apesar de me sentir sozinha às vezes, sei realmente que tenho pessoas com quem posso contar que sempre estarão perto de mim, como sempre estiveram…

Sei também com quem quero estar, quem eu quero que continue a fazer parte de mim, alguém que um dia deixou de ser o que nunca deveria ter deixado e que, hoje, mais do que nunca *”é uma peça fundamental do quebra-cabeça que é minha vida.”

* retribuo com as mesmas palavras os sentimentos que um dia me foram dedicados… palavras de um companheiro maravilhoso que não se diz romantico, nem sensivel… sei…

Medo do escuro

“Não me deixe só
Eu tenho medo do escuro
Eu tenho medo do inseguro
Dos fantasmas da minha voz”

(Não me deixe só – Vanessa da Mata) 

Depois de uma nova etapa de viagens começo a retornar às minhas atividades “normais”. Volto enfim à realidade. Não posso dizer que senti saudades da correria e da tumultuada vida paulistana. Não sou mentirosa… Adorei minhas férias!! Foram maravilhosas! Pude me divertir, descansar, dormir muito, refletir um pouco e passar um tempo com meu pai em sua belíssima cidade em Minas Gerais. É incrível como sempre que vou pra lá, penso seriamente em me mudar, em procurar ter uma vida mais tranqüila, ir a pé ao trabalho, almoçar em casa, não enfrentar mais o transito caótico de são Paulo, nem enchentes… Ter mais qualidade de vida, trabalhar e me desgastar menos, porém, talvez, viver mais e melhor.

Essa vontade logo passa e penso que não suportaria uma vida muito monótona. Na verdade eu tenho medo, mesmo. Tenho medo de tudo que me faça sair do caminho que já tinha traçado pra mim. Sim, sou muito nova pra pensar assim, até gostaria, mas não consigo ser diferente. Defino objetivos, faço planos e odeio quando, às vezes, as coisas não saem como o planejado.

Não gosto nada de acontecimentos que me pegam de surpresa, tenho necessidade de estar preparada pra tudo. Lógico que isso nem sempre acontece, que em nossa vida aparecem sim algumas pedras, pontes quebradas, alguns tapetes são puxados… Às vezes até falta um pouco de luz. Eu aprendi a conviver com isso optando sempre pelo caminho mais seguro, não entrando em florestas, mas seguindo sempre uma estrada segura e bem iluminada. Sei que, com isso, posso estar perdendo muita coisa boa, muitos sentimentos e sensações inesperadas e que poderiam me fazer bem e talvez mudar o meu caminho, ou até o meu destino.

Mas eu tenho medo, tenho medo de cair e não conseguir levantar, tenho medo de precisar assumir e reconhecer minhas fraquezas para poder superá-las e seguir em frente. Tenho medo de me perder e não conseguir me encontrar, e de talvez, não poder contar com ninguém para me ajudar e me levar de volta ao mesmo lugar.

Ano novo, vida nova: Será??

Depois de uma passagem de ano maravilhosa, volto à minha cidade, à minha casa, aos meus pensamentos e consequentemente a este blog.

Passei um tempo em um sitio com pessoas amigas e super animadas. Durante esses dias sentimentos e sensações diversas tomaram conta de mim: euforia, energia, animação, felicidade… Nesta viagem de passagem de ano foi como se eu despejasse toda e qualquer frustração, raiva, desgosto e cansaço no ar, que por sua vez, levou tudo pra longe de mim com a força da minha voz em forma de canto. Sim, eu cantei… e dancei, pulei, até não poder mais, até minhas pernas me obrigarem a dormir e dar-lhes um pouco de descanso. Gastei muita energia e me libertei de tudo que por um bom tempo me fez mal.

Depois retornei a São Paulo, mas aqui não permaneci por muito tempo, pois precisava recuperar minhas forças, ter um tempo sozinha, pra me entender e me encontrar. Fui à praia na casa de uma amiga mais que especial. Contei com a sua companhia e de um menino encantador, o pequeno Augusto de apenas 5 meses. Nem preciso dizer que fiquei mimando a criança até não poder mais…

Contudo, consegui reservar um tempo pra mim. Passeios solitários na praia no final da tarde admirando a imensidão daquele mar azul que permaneceu tranqüilo durante toda a semana. Praticamente não havia nuvem no céu, portanto o sol fez um belo trabalho em minha pele, que apesar de contar com muito protetor, não passou ilesa e contra minha vontade adquiriu alguma cor. Gosto de minha pele branca, mas agora também me sinto bonita com a pele um pouco mais dourada…

Enfim, foi um tempo que reservei pra mim, há quem diga que seja uma busca espiritual, mas o intuito era me colocar em ordem para que esse ano eu não me perca, não fuja nem deixe escapar meus sonhos e objetivos. 

Que sonhos? Que objetivos? De nenhuma forma pretendo fazer promessas, nem listas de coisas a fazer. Não tenho a inocente visão de que ano novo significa uma vida nova. Não é bem assim… Esse ano não é realmente novo, não dá pra começar um ano acreditando que tudo irá mudar, comparando nossa vida a um caderno, que quando acaba é só comprar um novo, em branco, sem marcas, nem historia. A vida não é assim, a cada ano que passa nós carregamos uma bagagem conosco e é simplesmente impossível jogar tudo que está dentro fora. Gosto de dizer que este é mais um dos muitos anos que tenho pela frente e que se eu quiser posso fazer ser diferente, posso e devo usar minhas experiências para não repetir os mesmos erros e fazer de tudo para crescer. Mas o mais importante é que eu não me esqueça de como eu cheguei até aqui, das pessoas que eu pude e ainda posso contar, é preciso, contudo, carregar comigo meu passado e usá-lo da melhor forma para o meu presente e consequentemente meu futuro e quem sabe me tornar uma pessoa melhor.

Então é Natal…

Mês de dezembro é mesmo complicado, além da euforia das pessoas, da correria e do impulso consumista, há também muita nostalgia. É bom lembrar os tempos de crianças, a família toda reunida… Era tanta gente que a ceia era realizada no quintal da casa de meus avós. Havia uma mesa enorme de madeira (feita pelo meu avô, marceneiro) e uma grande árvore natural que os netos adoravam ajudar a enfeitar. Como eu era muito criança, tudo me parecia muito maior do que hoje é realmente…

Com essas lembranças todas, vários pensamentos freqüentemente passam pela minha mente. Os anos passam, a vida muda, erramos, aprendemos, crescemos, fazemos e desfazemos amizades, mas algum ponto da vida acaba voltando ao mesmo lugar. Talvez com outro contexto, com outras pessoas, mas a situação é a mesma, as dúvidas permanecem e os sentimentos também.

Sabe, estou cansada de tudo, cansada de reclamar, me magoar, chorar e pedir sempre a mesma coisa. Não ser ouvida, respeitada e nem um pouco compreendida. Abro mão de tudo, faço tudo para as coisas ficarem bem, mas quem faz isso por mim? Ultimamente ninguém…

Nesse Natal não queria roupas, perfumes ou jóias. (Lógico que se for de coração ficaria muito feliz, mas enfim… ) O que eu quero é mesmo respeito, cumplicidade, compartilhar dos mesmos sonhos. Quero um amor de verdade, sabe, que me deixe participar, que não tenha amigos secretos nem uma turma da qual eu não faça parte. Todos podemos, e devemos, ter privacidade, não nego isso a ninguém, mas acho que tenho o direito de participar efetivamente da vida de quem eu amo. Entender, conversar, gostar me relacionar com seus amigos como se fossem meus também e vice-versa. Negar isso é simplesmente negar e não assumir um compromisso, como se abrir esse espaço fosse um passo para algo maior.

O problema é que eu estou pronta pra esse algo maior, estou pronta pra compartilhar, dividir, crescer e construir junto. É pedir muito, depois de tanto tempo, que nossos sonhos se encontrem e nossas ações caminhem na mesma direção?

Não sei, eu estou disposta a aceitar, a fazer mais do que já faço e abrir mão de diversas coisas… só não vou abrir mão dos meus sonhos, dos meus planos. Esse ano que está por vir, com certeza farei de tudo para ir atrás deles, ou melhor, irei mesmo atrás deles. Quem quiser vir comigo, ótimo, mas se depois de tanto tempo ainda não estiver pronto, sinto muito, mas acho que não posso mais continuar algo que  não vai dar em nada, se não posso compartilhar os meus sonhos, talvez  eu não possa compartilhar mais nada mesmo. Isso é o que penso, mas não o que sinto. Esse é justamente o meu problema, deixar meu amor falar mais alto mesmo que passe por cima até do meu amor próprio…

Bom, queria aproveitar para desejar um FELIZ NATAL (afinal, já é amanhã) para todos os que visitam esse blog e principalmente para dois leitores fieis, amigos e poetas maravilhosos: Leandro e Danilo… Um beijo especial!



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