Ano novo, vida nova: Será??

Depois de uma passagem de ano maravilhosa, volto à minha cidade, à minha casa, aos meus pensamentos e consequentemente a este blog.

Passei um tempo em um sitio com pessoas amigas e super animadas. Durante esses dias sentimentos e sensações diversas tomaram conta de mim: euforia, energia, animação, felicidade… Nesta viagem de passagem de ano foi como se eu despejasse toda e qualquer frustração, raiva, desgosto e cansaço no ar, que por sua vez, levou tudo pra longe de mim com a força da minha voz em forma de canto. Sim, eu cantei… e dancei, pulei, até não poder mais, até minhas pernas me obrigarem a dormir e dar-lhes um pouco de descanso. Gastei muita energia e me libertei de tudo que por um bom tempo me fez mal.

Depois retornei a São Paulo, mas aqui não permaneci por muito tempo, pois precisava recuperar minhas forças, ter um tempo sozinha, pra me entender e me encontrar. Fui à praia na casa de uma amiga mais que especial. Contei com a sua companhia e de um menino encantador, o pequeno Augusto de apenas 5 meses. Nem preciso dizer que fiquei mimando a criança até não poder mais…

Contudo, consegui reservar um tempo pra mim. Passeios solitários na praia no final da tarde admirando a imensidão daquele mar azul que permaneceu tranqüilo durante toda a semana. Praticamente não havia nuvem no céu, portanto o sol fez um belo trabalho em minha pele, que apesar de contar com muito protetor, não passou ilesa e contra minha vontade adquiriu alguma cor. Gosto de minha pele branca, mas agora também me sinto bonita com a pele um pouco mais dourada…

Enfim, foi um tempo que reservei pra mim, há quem diga que seja uma busca espiritual, mas o intuito era me colocar em ordem para que esse ano eu não me perca, não fuja nem deixe escapar meus sonhos e objetivos. 

Que sonhos? Que objetivos? De nenhuma forma pretendo fazer promessas, nem listas de coisas a fazer. Não tenho a inocente visão de que ano novo significa uma vida nova. Não é bem assim… Esse ano não é realmente novo, não dá pra começar um ano acreditando que tudo irá mudar, comparando nossa vida a um caderno, que quando acaba é só comprar um novo, em branco, sem marcas, nem historia. A vida não é assim, a cada ano que passa nós carregamos uma bagagem conosco e é simplesmente impossível jogar tudo que está dentro fora. Gosto de dizer que este é mais um dos muitos anos que tenho pela frente e que se eu quiser posso fazer ser diferente, posso e devo usar minhas experiências para não repetir os mesmos erros e fazer de tudo para crescer. Mas o mais importante é que eu não me esqueça de como eu cheguei até aqui, das pessoas que eu pude e ainda posso contar, é preciso, contudo, carregar comigo meu passado e usá-lo da melhor forma para o meu presente e consequentemente meu futuro e quem sabe me tornar uma pessoa melhor.

Então é Natal…

Mês de dezembro é mesmo complicado, além da euforia das pessoas, da correria e do impulso consumista, há também muita nostalgia. É bom lembrar os tempos de crianças, a família toda reunida… Era tanta gente que a ceia era realizada no quintal da casa de meus avós. Havia uma mesa enorme de madeira (feita pelo meu avô, marceneiro) e uma grande árvore natural que os netos adoravam ajudar a enfeitar. Como eu era muito criança, tudo me parecia muito maior do que hoje é realmente…

Com essas lembranças todas, vários pensamentos freqüentemente passam pela minha mente. Os anos passam, a vida muda, erramos, aprendemos, crescemos, fazemos e desfazemos amizades, mas algum ponto da vida acaba voltando ao mesmo lugar. Talvez com outro contexto, com outras pessoas, mas a situação é a mesma, as dúvidas permanecem e os sentimentos também.

Sabe, estou cansada de tudo, cansada de reclamar, me magoar, chorar e pedir sempre a mesma coisa. Não ser ouvida, respeitada e nem um pouco compreendida. Abro mão de tudo, faço tudo para as coisas ficarem bem, mas quem faz isso por mim? Ultimamente ninguém…

Nesse Natal não queria roupas, perfumes ou jóias. (Lógico que se for de coração ficaria muito feliz, mas enfim… ) O que eu quero é mesmo respeito, cumplicidade, compartilhar dos mesmos sonhos. Quero um amor de verdade, sabe, que me deixe participar, que não tenha amigos secretos nem uma turma da qual eu não faça parte. Todos podemos, e devemos, ter privacidade, não nego isso a ninguém, mas acho que tenho o direito de participar efetivamente da vida de quem eu amo. Entender, conversar, gostar me relacionar com seus amigos como se fossem meus também e vice-versa. Negar isso é simplesmente negar e não assumir um compromisso, como se abrir esse espaço fosse um passo para algo maior.

O problema é que eu estou pronta pra esse algo maior, estou pronta pra compartilhar, dividir, crescer e construir junto. É pedir muito, depois de tanto tempo, que nossos sonhos se encontrem e nossas ações caminhem na mesma direção?

Não sei, eu estou disposta a aceitar, a fazer mais do que já faço e abrir mão de diversas coisas… só não vou abrir mão dos meus sonhos, dos meus planos. Esse ano que está por vir, com certeza farei de tudo para ir atrás deles, ou melhor, irei mesmo atrás deles. Quem quiser vir comigo, ótimo, mas se depois de tanto tempo ainda não estiver pronto, sinto muito, mas acho que não posso mais continuar algo que  não vai dar em nada, se não posso compartilhar os meus sonhos, talvez  eu não possa compartilhar mais nada mesmo. Isso é o que penso, mas não o que sinto. Esse é justamente o meu problema, deixar meu amor falar mais alto mesmo que passe por cima até do meu amor próprio…

Bom, queria aproveitar para desejar um FELIZ NATAL (afinal, já é amanhã) para todos os que visitam esse blog e principalmente para dois leitores fieis, amigos e poetas maravilhosos: Leandro e Danilo… Um beijo especial!

Más recordações

Coisas mal resolvidas por mais que se queira são difíceis de esquecer. Essa semana, sombras do passado insistiram em me rodear como fantasmas perambulando, não ao meu redor, mas dentro de mim.

Fazem anos que essas coisas ruins aconteceram, e ainda acontecem, eu tentei apagar e simplesmente esquecer, funcionou por um tempo, mas hoje essas lembranças voltaram a tomar conta de meus pensamentos. Medo, ciumes, mágoa e insegurança são os sentimentos presentes nessas más recordações.

Por que as pessoas são tão crueis?? Por que fazem questão de te lembrar que você não existe pra elas?? Por que declarações e ofensas entrelinhas?? Por que não apagar fotos,  e-mails, rasgar cartas??? Mas não, é preciso ferir mais do que já foi ferido. É preciso a todo instante lembrar que você não faz mais parte do que um dia foi tão bom… ou talvez nunca tenha feito mesmo…

Queria fugir disso tudo, costurar meu pensamento (assim como o galo de Bojunga) porque eu sei que eu sou a única resposável por ele. Eu deveria comandar minha mente, deixar ir embora tudo o que não me faz bem. Mas não é tão simples assim, nosso inconsciente tem vida própria e por mais que eu deseje o contrário, me diz que essas coisas precisam ser resolvidas.

O problema é que eu não estou pronta, não consigo entender, perdoar e aceitar até os meus próprios erros. Preciso de mais tempo para pôr as coisas no lugar, amadurecer minhas idéias e tirar a mágoa presente em meu coração, ou quem sabe “boicotar” minha mente e deixar escondido o que eu prefiro não me lembrar.

Eu só quero minha tranquilidade, pensar no meu futuro não mais no meu passado, não quero mais essas sombras, quero viver em paz ao lado do meu amor que nunca saiu de perto de mim, que mesmo distante esteve presente, que hoje é uma parte essencial de mim, que sem ele fica tudo tão vazio… não é paixão é amor. Amor sincero, puro, transparente e verdadeiro! Que eu sei que é demais pra mim, que um dia não fiz por merecer, mas vou fazer… aliás acho que já mereço…

Longe do meu lado (Legião Urbana)

Se a paixão fosse realmente um bálsamo
O mundo não pareceria tão equivocado
Te dou carinho, respeito e um afago
Mas entenda, eu não estou apaixonado
A paixão já passou em minha vida
Foi até bom mas ao final deu tudo errado
E agora carrego em mim
Uma dor triste, um coração cicatrizado
E olha que tentei o meu caminho
Mas tudo agora é coisa do passado
Quero respeito e sempre ter alguém
Que me entenda e sempre fique a meu lado
Mas não, não quero estar apaixonado

A paixão quer sangue e corações arruinados
E saudade é só mágoa por ter sido feito tanto estrago
E essa escravidão e essa dor não quero mais
Quando acreditei que tudo era um fato consumado
Veio a foice e jogou-te longe
Longe do meu lado

Não estou mais pronto para lágrimas
Podemos ficar juntos e vivermos o futuro, não o passado
Veja o nosso mundo
Eu também sei que dizem
Que não existe amor errado
Mas entenda, não quero estar apaixonado

Só coloquei a letras dessa música porque é bem esse o espiríto do post, mas a melodia é melancolica demais a ponto de alguém que estiver muito depressivo tentar suicidio… rsrs.. esse não é o caso!

Ps: A quem não entendeu sobre o galo de Bojunga: aconselho a leitura de A Bolsa Amarela, um livro de literatura infantil –  juvenil… simplesmente, pra mim, o melhor depois de O Pequeno Príncipe.

Assim eu vejo a vida

Engraçado como o rumo das coisas se dá, como as pessoas te decepcionam e você nada pode fazer para voltar atrás. Palavras que foram ditas dificilmente serão apagadas, tudo fica registrado principalmente no coração, na alma, as ofenças, as acusações, mas enfim… não darei mais importância do que realmente é… já perdi coisas piores, pessoas mais importantes na minha vida, que realmente faziam a diferença… as coisas acontecem e deixam suas marcas, a gente aprende e tenta não repetir os mesmos erros. É preciso perceber que somos mesquinhos e egoístas, que o tempo não volta atrás, que apesar de querer isso não vai acontecer. Contudo, é preciso recomeçar da linha de partida e não da metade da pista, começar um novo capitulo, deixar os que já foram escritos para trás, apagar, rasgar, simplesmente tentar esquecer… mas isso fica a cargo do tempo… que há de fazer!

Fico com um poema da Cora Coralina que roubei do Leandro, mas que me deu a esperança e o animo de que eu precisava: 

Assim eu vejo a vida

A vida tem duas faces:
Positiva e negativa
O passado foi duro
mas deixou o seu legado
Saber viver é a grande sabedoria
Que eu possa dignificar
Minha condição de mulher,
Aceitar suas limitações
E me fazer pedra de segurança
dos valores que vão desmoronando.
Nasci em tempos rudes
Aceitei contradições
lutas e pedras
como lições de vida
e delas me sirvo
Aprendi a viver.

Vejo flores em você…

mulher+flores

Segunda-feira foi o feriado de finados, o dia dos mortos. Essa data sempre foi um dia triste, no qual as pessoas costumam ir ao cemitério levar flores para enfeitar túmulos, ir à missa rezar para aos que já se foram e se entristecer com cada lembrança, ou no caso do orientais acender incensos aos antepassados. Já fiz essas coisas, já levei flores, já fui à missa e até acendi incenso para alguém que eu nunca conheci.

Hoje, não vou mais ao cemitério, há um lugar que é mais do que uma caixa de concreto, um monte de cimento com placas de identificação e talvez fotos, esse lugar é repleto de saudade, amor e boas lembranças e é nele, no meu coração que carrego as flores do amor e da saudade aos meus avôs. São nas lembranças felizes e saudosas que me aproximo deles, são nas pequenas ações do dia a dia e nas grandes conquistas que lhes dedico meu amor e minha gratidão por serem parte de mim e viverem em meu coração.

Contudo, finados não é mais uma data triste, pois de uns anos pra cá coisas realmente importantes e felizes aconteceram. Dia 02 de novembro passou a ser uma data que faz com que eu me sinta ainda mais viva e ressuscite sentimentos e pensamentos possivelmente mortos dentro de mim, como o amor, a alegria, a esperança e a vontade de viver!

Feriado: cerveja, amigos e cinema

Passei por uma longa semana de muito serviço por causa do dia das crianças: lembrancinhas, cartões, brincadeiras, teatro, brinquedos… acabaram comigo! Sexta-feira eu mais parecia um zumbi, a esposa do Dracula, ou algo parecido… e ainda tive que trabalhar no sábado (odeio reposição de aula, bendita gripe suína…).Mas depois da tempestade… um merecido fim de semana e um belo feriado!! Que na verdade não foi tão belo assim, as coisas nem sempre saem como o planejado, mas enfim…

Um descanso no sábado à noite; cerveja, amigos e namorado no domingo e um cineminha pra terminar a segunda. Eu mais que indico o filme ao qual assisti: Bastardos Inglórios. Pra quem gosta de Quentin Tarantino… violência gratuita, muito sangue e uma boa dose de risadas. Destaque para a atuação de Brad Pitt, que sem sombra de dúvida merece papéis cômicos como esse. Muito melhor ao papel  que concorreu ao Oscar em “O curioso caso de Benjamin Button”… filme chatinho esse, viu… lembrou-me Jack (não sei o que) só que ao contrário…

Bom, criticas de cinema à parte,  boa semana pra vcs e assistam vale à pena!

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Mais uma vez amor…

Relacionamento é mesmo complicado, por mais que duas pessoas se gostem sempre haverá problemas, intrigas, opiniões diferentes que certamente ocasionará em uma briga.  Todo e qualquer casal briga, se não algo também está fora do normal. As pessoas são diferentes e sempre será assim. Contudo, é possível amenizar a situação, abrir mão de alguma coisa nem que seja a própria razão. Eu não ligo de “engolir sapos”, já suportei várias coisas na tentativa de ficar tudo bem. Sei que não sou a única, que já fizeram e ainda fazem isso por mim.

Por amor a gente se anula, vivemos exclusivamente para quem amamos ao ponto de esquecemos quem somos; o que queremos; pra onde estamos indo… Mudamos a direção de tudo, dos pensamentos às ações.

E quando tudo acaba? Pra onde vamos? Eu não sei, porque ainda não acabou e não vai acabar, espero. Faço tudo outra vez se for preciso, a única coisa que espero é o mesmo pensamento…

Só uma coisa me magoa: perceber que não queremos as mesmas coisas, que não temos os mesmos sonhos. Talvez isso nos complete, talvez nos afaste, talvez não precise sonhar, mas só respeitar, não sei… Veremos…

 Você diz que não me conhece… Mas quem conhece alguém por inteiro? Nem eu mesma me conheço porque estou sempre mudando… E não deveria ser assim? Algo que não muda é meu amor; sempre o mesmo, às vezes mais, às vezes menos, mas sempre amor!

 Deixo aqui o poema mais conhecido, cantado, recitado de todos os tempos:

Amor é fogo que arde sem se ver

Amor é fogo que arde sem se ver,
é ferida que dói, e não se sente;
é um contentamento descontente,
é dor que desatina sem doer.

É um não querer mais que bem querer;
é um andar solitário entre a gente;
é nunca contentar-se de contente;
é um cuidar que ganha em se perder.

É querer estar preso por vontade;
é servir a quem vence, o vencedor;
é ter com quem nos mata, lealdade.

Mas como causar pode seu favor
nos corações humanos amizade,
se tão contrário a si é o mesmo Amor?

Luis de Camões

 

*Bom fim de semana (e feriado) para todos! Só pra mim que ainda não, eu trabalho amanhã (o que não faço por uma hora extra…)

Faz quase um mês

Já faz um tempo que eu não escrevo nada aqui. Aliás, faz um tempo que eu não faço tanta coisa que eu gostaria de fazer. De todas, o que eu realmente preciso é pensar um pouco mais em mim. Não deixar o nervosismo, a correria dos meus dias afetarem minha saúde física e mental. Estou tão cansada, sem ânimo, até sem forças. É tanto esforço, tanto trabalho que por mais que eu tente não estou conseguindo dar conta do recado. Ás vezes, nem sei se vale à pena me preocupar tanto, nem todos dão valor. Tem gente que faz muito menos e tem muito mais… Mas o que sei é onde quero chegar e, por mim, preciso agüentar.  

É meu desabafo, a libertação de parte dos meus sentimentos. Momentâneos logicamente, porque tudo muda; eu espero.

Bom, nesse tempo longe muita coisa aconteceu, diversos assuntos surgiram em minha mente, mas se perderam. Hoje não quero falar sobre nada polêmico nem muito profundo, preciso de leveza… Quero mesmo é humor… Posto aqui um vídeo de um grupo de humoristas que eu adoro (apesar de nunca ter ido ao uma apresentação, só assisti a uns trechos no youtube, mesmo) e que como uma boa estudante de Letras só poderia falar de Língua Portuguesa… Acho que muita gente já deve ter visto, porque é um pouco antigo, mas “vale a pena ver de novo”. É dedicado ao Dinho que tem uma namorada chatinha e implicante…

Cuide de você

Tudo estava a favor de uma noite agradável, e foi. Mas não o suficiente pra tirar o vazio que insiste em permanecer dentro de mim. Pessoas amigas, risadas… conversas vazias, verdades ocultas. Nada existe, o que é exposto é apenas um papel, uma encenação, como um ator que ensaia e convence… Real mesmo só o pensamento que por mais rodeios faça volta sempre ao mesmo ponto. Ah! Se percebesse meu olhar iria verdadeiramente me conhecer… palavras podem ser manipuladas, ou ditas apenas algumas verdades superficiais. Mas os olhos, esses não mentem, a postura, os gestos inconscientes , delatores dos  nossos verdadeiros desejos e pensamentos. Mas a quem isso importa? Talvez nem a mim faça mais diferença, pode até ter feito um dia, mas hoje não mais! Não sou mais a mesma, mas quem sempre é? Mudaram as atitudes e mudarão também os sentimentos. Tudo o que nasce morre um dia, estou certa disso.

*****

Aproveito esse post, para falar de uma exposição que está acontecendo no Sesc Pompéia.  A artista francesa Sophie Calle, depois de receber uma carta de rompimento do namorado resolve pedir ajuda de diversas pessoas para interpretar a tal carta em forma de fotografias, poemas, etc. Achei interessante a proposta porque envolve algo bem doloroso que é o rompimento (ou a famosa dor de cotolovelo).  A exposição Cuide de Você ficará no Sesc até o dia 07 de setembro. O melhor é que é de graça.  Ainda não fui, mas pretendo ir esse final de semana.

“(…) Aquele que antes me mantinha com pés no chão.
Agora faz questão de ser o que me empurra para a imensidão (…)”
(Postado por Dandara Narimatsu no blog da mostra Cuide de você)

“Cada interpretação é uma máscara.
Cada máscara é uma forma de sentir.
Cuidar-se é assumir sua melhor face.”
(Leonardo Chioda, também no blog)

leonardochioda

E vem chegando a primavera

No post anterior eu falei da minha prima Andrea e neste vou contar o que aconteceu com ela, semana passada: na segunda-feira, saindo do Inglês, às 21:00 foi abordada por um assaltante. Ao tentar reagir ao assalto, ela acabou sendo ferida. Na verdade, não reagiu porque não queria entregar o carro ou a bolsa, mas porque o indivíduo queria levá-la junto. No desespero tentou sair do carro e o cidadão acertou sua perna. Graças a Deus ela está se recuperando, tanto do ferimento quanto do susto que levou… não deve ser fácil. (Dea, não sei se vai ler isso mas… te amo!)

Não foi o primeiro caso de violência que afetou minha família, há dez anos também em uma tentativa de assalto meu tio, Lamir,  foi baleado, e infelizmente faleceu. Foi um episódio triste que transformou nossas vidas, como não poderia ser diferente. Graças a Deus e ao super anjo da guarda que a Dea tem, nada de muito grave aconteceu, mas tudo poderia ter sido diferente.

O engraçado é que a gente pensa que essas coisas nunca vão acontecer com a gente… vê na televisão, lê no jornal, ouve no radio… parece normal. Mas quando vê de perto, sofre com esse tipo de coisa é bem diferente. Nos fazem pensar o quanto nossa vida é banal, insignificante. Você faz planos pro futuro, mas nem sabe se vai voltar pra casa à noite, se estará vivo no dia seguinte. Sei lá, vai chegar um dia que será impossivel viver em cidades grandes. Serão construídos, cada vez mais, grandes condomínios que englobe residência, lazer e trabalho. As pessoas viverão cercados por enormes muros, cercas elétricas, vigiados por diversas câmeras e seguranças. É… talvez nem isso dê certo, talvez haja vandalismo e violência mesmo assim… vai saber. 

Mas a verdade é que eu estou cansada de tudo isso: do trânsito, da sujeira, da intolerância das pessoas, do vandalismo, da violência, da indiferença, do consumismo, da banalidade… estou pensando em me mudar, mas pra onde? Será que existe um lugar que essas coisas ainda não chegaram lá?

Como sempre, eu coloco uma letra que retrate meus sentimentos. Eu gosto de música, acho que deu pra perceber…

Perfeição (Renato Russo)

Vamos celebrar
A estupidez humana
A estupidez de todas as nações
O meu país e sua corja
De assassinos
Covardes, estupradores
E ladrões…

Vamos celebrar
A estupidez do povo
Nossa polícia e televisão
Vamos celebrar nosso governo
E nosso estado que não é nação…

Celebrar a juventude sem escolas
As crianças mortas
Celebrar nossa desunião…

Vamos celebrar Eros e Thanatos
Persephone e Hades
Vamos celebrar nossa tristeza
Vamos celebrar nossa vaidade…

Vamos comemorar como idiotas
A cada fevereiro e feriado
Todos os mortos nas estradas
Os mortos por falta
De hospitais…

Vamos celebrar nossa justiça
A ganância e a difamação
Vamos celebrar os preconceitos
O voto dos analfabetos
Comemorar a água podre
E todos os impostos
Queimadas, mentiras
E seqüestros…

Nosso castelo
De cartas marcadas
O trabalho escravo
Nosso pequeno universo
Toda a hipocrisia
E toda a afetação
Todo roubo e toda indiferença
Vamos celebrar epidemias
É a festa da torcida campeã…

Vamos celebrar a fome
Não ter a quem ouvir
Não se ter a quem amar
Vamos alimentar o que é maldade
Vamos machucar o coração…

Vamos celebrar nossa bandeira
Nosso passado
De absurdos gloriosos
Tudo que é gratuito e feio
Tudo o que é normal
Vamos cantar juntos
O hino nacional
A lágrima é verdadeira
Vamos celebrar nossa saudade
Comemorar a nossa solidão…

Vamos festejar a inveja
A intolerância
A incompreensão
Vamos festejar a violência
E esquecer a nossa gente
Que trabalhou honestamente
A vida inteira
E agora não tem mais
Direito a nada…

Vamos celebrar a aberração
De toda a nossa falta
De bom senso
Nosso descaso por educação
Vamos celebrar o horror
De tudo isto
Com festa, velório e caixão
Tá tudo morto e enterrado agora
Já que também podemos celebrar
A estupidez de quem cantou
Essa canção…

Venha!
Meu coração está com pressa
Quando a esperança está dispersa
Só a verdade me liberta
Chega de maldade e ilusão
Venha!
O amor tem sempre a porta aberta
E vem chegando a primavera
Nosso futuro recomeça
Venha!
Que o que vem é Perfeição!

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